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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

FIGURINOS ICONICOS EM ICONES

Diversos figurinos entraram para a história da cultura pop, eles se tornaram parte da história, do clima do filme. É difícil imaginar Martin Mcfly desembarcar no futuro de “De volta para o futuro 2” e não ter a cena de seu colete ajustável ou ver sua cara de surpresa ao descobrir que seus tênis amarram sozinhos, essas roupas ajudam a compor o universo.

Por isso um ilustrador e designer de São Francisco resolveu fazer homenagem (e uma graninha) a alguns desses figurinos, ele criou prints e cards com interpretações minimalistas.


Filmes como “De volta para o Futuro”, Caça Fantasmas e alguns outros, forma a inspiração. Você pode dar uma olha no trabalho do cara e comprar algum deles pelo site http://shop.ryanputn.am





terça-feira, 29 de julho de 2014

ATORES VOLTAM A SEUS PAPÉIS MAIS LEGAIS


A Empire Magazine britânica trouxe de volta alguns dos atores que o público mais gosta no papel que os tornaram mais famosos.

São 27 atores e filmes que fizeram parte dos 20 anos em que a revista ficou no primeiro lugar de vendas, a sessão levou o nome de “The birthday portifolio”.

Alguns rostos são mais antigos como de Mel Gibson, reencarnado de Willian Wallace, personagem de Coração Valente que o rendeu o Oscar de melhor Filme e Melhor Diretor em 1996, outros são mais jovens como o trio de Harry Potter, Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, que foram capa da revista todas as vezes que seus filmes estrearam nos cinemas.

A ideia é retratar como foram longos e divertidos essas duas décadas de cinema, que também foram os de maior sucesso da publicação.


A edição foi assinada por ninguém mais, ninguém menos que Steven Spielberg.














sexta-feira, 18 de julho de 2014

ALAN MOORE ABRAÇA A REVOLUÇÃO DIGITAL DOS QUADRINHOS

Tecnologia, aplicativos e gadgets são palavras que agora combinam com Alan Moore, por mais improvável que pareça.

O roteirista de quadrinhos conhecido por trabalhos que modificaram o gênero de super-heróis como Watchmen, V de Vingança, Liga Extraordinária, entre outros, sempre demonstrou receio em readaptar suas obras em outras mídias, sendo defensor de que quadrinhos muitas vezes só funcionam em páginas. Mas agora o cenário é outro, aplicativos como o Comixcology dominaram o mercado e resultou em uma grande baixa nas vendas da mídia tradicional física dos quadrinhos.

Esta realidade deu a Alan Moore uma nova porta, seguindo a filosofia, se não pode vencê-los junte-se a eles... Este é o Electricomics, o aplicativo tem o objetivo de transportar o mais fielmente a experiência de ler um quadrinho. O conceito inicial saiu do filme, que está sendo desenvolvido desde 2012 pelo escritor, “In the Show”. Em uma cena diversos garotos estão sentados lendo quadrinhos em dispositivos transparentes e com a capacidade de interagir com a história.

Ed Moore, o designer responsável pelo projeto (não, eles não são irmãos), explicou para o jornal The Guardian que a diferença esta na possibilidade de leituras: “Você não possui a mesma leitura [que no modo tradicional] e o outro problema é que o digital tem uma capacidade muito maior que a folha plana, e esta vantagem não esta sendo explorada”.

A ideia se torna diferente dos outros aplicativos, também, porque quer incentivar esses garotos a fazerem quadrinhos, que eles se envolvam, “As histórias produzidas não demonstraram apenas uma possibilidade, mas, temos esperança, inspirem outros a fazerem o mesmo”, explica a página oficial do site. A equipe não entrega muito, mas será colocado um kit de ferramentas pra que os usuários façam suas próprias historias.

O aplicativo ainda não esta disponível para compra, mas o primeira adaptação será do BIG NEMO, escrito pelo próprio Moore e desenhado por Collen Doran (Sandman, Wonder Woman), é uma história de 48 páginas que homenageia a obra “Little nemo” de Winsor McCay. Uma junção perfeita já que o quadrinho de McCay é considerado um dos modelos de narrativa nas palavras de Alan Moore “é algo que não poderia ser melhor”.



quarta-feira, 16 de julho de 2014

BATGIRL TEM UNIFORME PERFEITO PARA COSPLAY

O universo sombrio de Gothan sempre foi contrabalanceado por algumas das mulheres mais populares no mundo dos quadrinhos, desde a Mulher-Gato a Hera Venenosa. Mas as últimas notícias da cidade mais estilizada dos quadrinhos é sobre a sidekick do Cavaleiro das Trevas.

A DC Comics anunciou que a filha do comissário Gordon ganhará uma nova equipe artística em outubro. Batgirl já esteve em uma cadeira de rodas, virou oráculo, foi a Alicia Silverstone, e agora vai se distanciar da sua escritora de anos, Gail Simone, e ganhara dois novos roteiristas Cameron Stewart e Brenden Fletcher, ambos veem a nova batgirl como uma das personagens mais joviais do universo e seu novo conceito é ligado a cultura atual “Eu toquei uma parte de uma música da Iggy [Azzelia] para o Stewart e disse: imagine ela correndo por telhados com este som de fundo” explica Fletcher, “E ai estava a nossa Batgirl” termina ele.

As histórias mostram uma Barbara Gordon estudante de pós-graduação, que trocou Gothan pela sua cidade vizinha, Burnside, e não está sob a tutela de seu antigo professor Bruce Wayne.

A arte vai ser responsabilidade da novata Babs Tarr, a nova imagem da Batgirl surge por diversos acontecimentos na história e seu antigo uniforme não esta mais disponível e é ai que o elemento cosplay entra. O conceito criado sai da premissa que Barbara terá que montar sua própria roupa da justiça, “É algo que ela deve montar sozinha e comprada nas boutiques de Burnside, reflete sua juventude, e estilo, diferente do Batman e da Batwoman ela não precisa mais ficar nas sombras e, na verdade, aprende a gostar de atenção”, explica Cameron.

A nova versão estará nas bancas estrangeiras em 8 de outubro, mas fica uma pequena prévia para os fãs.



segunda-feira, 14 de julho de 2014

ENTREVISTA – PIETRO ANTOGNIONI FALA SOBRE SEU TRABALHO NO ÁLBUM PORTAIS!



QUANTA - COMO FOI O PROCESSO DE PRÉ-PRODUÇÃO DESSE TRABALHO, VOCÊ FICOU MUITO TEMPO TENTANDO ENTENDER QUAL O ESTILO QUE QUERIA? NO ÁLBUM É CITADO ALGUMAS OUTRAS POSSIBILIDADES DE ESTILO, FOI UM PROCESSO DEMORADO?

PIETRO ANTOGNIONI - Falando francamente foi bem lento na real. Na época não era o lance de entender o estilo em si. As influências que eu tinha naquele ano de 2008 ainda eram muito fortes (Roger Cruz, que fazia pouco tempo tinha tido aula) e tinha um estilo de hachura que o Loredano fazia que achava fantástico também. Enfim, ainda me encontrava meio perdido com que estilo desenhar a história. Só depois de alguns meses ou anos (1 ou 2 anos) desde que tinha topado fazer o projeto que estava com um estilo gráfico um pouco mais desenvolvido para começar a hq. É também aquele lance de está sempre insatisfeito com o trabalho. E tinha poucas ou quase nenhuma referência visual, isso me deixou por um longo tempo sem tocar no projeto. Não sabia que estética criar para um futuro tão distante que se passa a história. E eu não tinha paciência para desenvolvimento de concept art. Só hoje percebo a importância dessa etapa do processo de criação de universos.

QUANTA - QUAL FOI O ASPECTO GRÁFICO MAIS IMPORTANTE QUE TE LEVOU A OPTAR POR ESTE ESTILO? QUAL O FOI O PONTO ONDE VOCÊ DISSE “É ISSO!”.

PIETRO ANTOGNIONI - Bom, se você procurar desenhos mais velhos (2007, 2008, 2009) você poderá encontrar um tipo de arte-final muito parecida com a que o Roger Cruz fazia (pesos nas linhas), usei esse tipo de arte final por conta da aula que tive com ele. Mas depois de um tempo fui eliminando essa característica ficando cada vez mais próximo de um estilo mais desenho animado ou história em quadrinhos japonesas (Akira Toriyama, Katsuhiro Otomo, etc). E acredito que tenha sido esse o curso natural do desenvolvimento do estilo gráfico. Acho que foi por aí que o desenho já estava legal o suficiente para começar o trabalho.

QUANTA - O TRABALHO DE COR TAMBÉM FICOU MUITO BOM... É UMA MISTURA ENTRE “MANCHAS DE AQUARELA” COM UMA COR MAIS CHAPADA... ESSA ESCOLHA FOI CONSCIENTE? O QUE TE LEVOU A OPTAR POR ESSE DIRECIONAMENTO GRÁFICO?

PIETRO ANTOGNIONI - Na época que peguei o projeto (2008) eu tinha uma leve queda para o estilo de cor que o Cariello fazia. Algo mais próximo da pintura digital, do que só fazer cores chapadas. Optei (para a minha desgraça) esse estilo de pintura. No início não tinha prazo para esse trabalho, então fiz a pintura das primeira páginas com muito capricho, o que não deu para continuar nas páginas seguintes, por isso pode-se perceber um leve mudança no estilo de pintura (algo mais manchado e chapado). Tive que optar por esse tipo de acabamento por conta do prazo que tínhamos definido no Catarse. Na correria tive uma ajuda em algumas páginas do Carlos Bizarro e da Jenny Defensor. QUANTA - NA CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA, O CARIELLO PARTICIPOU DESSE PROCESSO?

PIETRO ANTOGNIONI - Não de forma direta.

QUANTA - COMO FOI ESSE PROCESSO? VOCÊS PENSARAM JUNTOS EM TODA A NARRATIVA OU O CARIELLO JÁ PASSOU PRA VOCÊ OS TUMBNAILS?

PIETRO ANTOGNIONI - Assisti algumas aulas de sua turma de HQ que ajudaram em como pensar na composição da página e na distribuição das informações dentro dos quadros. E outro pedido dele foi deixar tudo dentro de quadros sem ficar inclinando, saltando personagem dos quadros e nem alterando tamanho das calhas entre os quadros. Ele me deu algumas justificativas então segui seus conselhos. O Cariello só me entregou o roteiro com informações de linha do tempo e descrição de personagens e nada mais, como eu tinha dito antes sem nenhuma informação visual. Ficou a meu cargo desenvolver tudo mais, foi realmente um inferno para mim. Mas olhando o álbum como um todo me apetece um pouco mais as páginas posteriores a página 26 rs.

QUANTA - QUE TIPO DE NARRATIVA VOCÊ TEVE COMO BASE? AS PÁGINAS TEM UM ANDAMENTO MAIS CLÁSSICO, LEMBRANDO OS QUADRINHOS EUROPEU CONTEMPORÂNEOS.. TEM A VER ESSA AVALIAÇÃO? VOCÊ CHEGOU A TER OS QUADRINHOS EUROPEUS COMO BASE?

PIETRO ANTOGNIONI – Não tive muito acesso as hqs europeias. Algumas poucas somente (Tin Tin, Blacksad, Borgia, Asterix), e percebi que eles tem um formato de página bastante restrito dentro dos quadros com pouca sangria. Isso teve uma certa influência. Me dava a impressão de tudo estar mais organizado e de fácil leitura dentro de uma página de quadrinho. Diferente do carnaval que são as hqs de super-heróis hoje (herdadas dos maravilhosos anos 90) rs.

QUANTA - É SUA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA COM NARRATIVA LONGA? FOI COMPLICADO TRABALHAR COM TANTAS PÁGINAS?

PIETRO ANTOGNIONI - Sim. Foi a primeira hq longa que desenhei. No meio disso tinha feito uma hq para uma antologia para a Polônia (2009), era uma história curta de 9 páginas. Eu não aconselharia hoje as pessoas que estão começando a desenhar hqs a fazer algo tão longo. Realmente se gasta muita energia nesse tipo de empreitada (desenho, arte-final e cor). Muitas vezes pensei em desistir, mas acho que tudo o que eu precisava era realmente de prazo rs.

QUANTA - VOCÊ FAZ OS THUMBNAILS DA HISTÓRIA INTEIRA ANTES DE COMEÇAR A FAZER AS PÁGINAS EFETIVAMENTE?

PIETRO ANTOGNIONI - No início eu fazia um thumb de uma página e desenhava essa página até o fim (desenho, arte-final e cor), para depois passar para a próxima. Nas últimas 20 páginas fiz os thumbnails de todas antes de começar a desenha-las. Aconselho esse último processo. Você tem uma visão geral da história e pode ter mais controle sobre a narrativa dando uma integridade para todas as páginas, como elas conversam entre si etc. Então hoje trabalho esse processo de fazer todos os thumnails antes de começar a desenhar as páginas. É parecido com o pensamento sobre a estrutura de desenho: pensar no geral para depois ir detalhando aos poucos.

QUANTA - VOCÊ CURTE HQS DE FICÇÃO E FANTASIA? ALGUM ARTISTA QUE VOCÊ GOSTA MAIS, QUE VOCÊ USA COMO INSPIRAÇÃO?

PIETRO ANTOGNIONI - Gosto bastante desses tipos de universos fantásticos. Portais reúne praticamente os dois mundos, criaturas esquisitas utilizando alta tecnologia. Então foi algo que me atraiu muito, pois adorava jogar RPG com meus amigos e essa história me lembrava dessa época. Sempre estou descobrindo novos desenhistas e pintores então fica difícil falar de quem eu mais gosto, aqui vão alguns nomes: Roger Cruz, Octavio Cariello, Hermann Mejia, Juarez Ricci, Rodolfo Damaggio, Nicolas Uribe, Otomo, Toriyama, Juanjo Guarnido, Mike Mignola, Moebius, Kinu Nishimura, Maurício Cardenas, etc. São muitos nomes afinal. Pode-se dizer que os uso como inspirações diárias também.

QUANTA - SEI QUE VOCÊ ESTÁ ENVOLVIDO EM OUTRO PROJETO DE HQ PARA INTERNET... VOCÊ PODE FALAR UM POUCO SOBRE ESSE TRABALHO?

PIETRO ANTOGNIONI - Sim, estou. Isso surgiu não me lembro se nas aulas propriamente ditas ou depois dessas aulas (roteiro para hq com a Marcela Godoy) em 2012. Eu notei que o Mateus era RPGista ou gostava desse hobby, realmente não me lembro se a gente tinha conversado sobre o assunto, mas topamos fazer algo juntos para ele por em prática suas habilidades de escritor e eu de narrador. Levou bastante tempo para que Elos (nome da hq) saísse, foram conversas para desenvolvimento de universo e roteiro, mas tudo ocorreu bem e lançamos a hq há pouco tempo. Decidimos lança-la depois de Portais para não complicar minha vida. Então o pessoal pode acompanhar nosso trabalho semanalmente, foi uma maneira também de não parar de desenhar página de quadrinhos. Já que isso exige uma certa disciplina.

QUANTA - ANSIOSO PRA VOLTAR AO UNIVERSO DO PORTAIS?

PIETRO ANTOGNIONI - Não mesmo haha! Foi algo muito estressante de se fazer. O processo de arrecadação de fundos no Catarse e todo o estresse de terminar tudo no prazo. Então por hora estou de olho em outros projetos para fazer (Elos é um deles), mas quem sabe nos próximos anos tenhamos uma continuação de Portais, hein?


ENTREVISTA – OCTAVIO CARIELLO FALA SOBRE SEU TRABALHO NO ÁLBUM PORTAIS!



QUANTA - SEI QUE VOCÊ ESCREVEU OS PRIMEIROS TRATAMENTOS DESTE ROTEIRO HÁ ANOS... QUANTO TEMPO ENTRE CRIAR A HISTÓRIA, O CONCEITO, ESCREVER O ROTEIRO E PUBLICAR O MATERIAL?

OCTAVIO CARIELLO - "Portais" tem a ver com um projeto maior, um universo que envolve várias mídias e conta uma de minhas versões do futuro da humanidade. O conecito por trás de "Portais" aponta pras escolhas de cada um diante das circunstâncias que fogem do controle; e como isso muda o rumo de nossas vidas. O primeiro tratamento foi escrito em três semanas, com bic num caderno pautado, muito antes da popularização dos computadores pessoais. Suas versões posteriores também não tomaram muito tempo pra serem finalizadas (desde o segundo tratamento, em editores digitais de texto). Três fases foram mais demoradas: a pesquisa (por incrível que pareça, fiz MUITA pesquisa de base pra confecção da história e das línguas), a criação das línguas usadas por alguns personagens (além da criação dos alfabetos e suas respectivas fontes digitais) e o letreramento; achar a forma mais apropriada pra distribuir os balões e recordatórios em cada quadro, alterando os textos "originais" dá um trabalhão!

É, escrevi o primeiro tratamento do roteiro de portais há uns anos. Antes mostrar pra alguém, ele sofreu várias mudanças. Uns três anos antes do Pietro assumir a arte, Greg Tocchini ensaiou fazer parte do projeto e deixou duas páginas prontas (que foram incluídas em seu artbook). Pietro levou alguns anos produzindo as 28 primeiras páginas e uns três meses pra finlaizar o álbum, depois que o financiamento via Catrse foi concluído.

QUANTA - IMAGINO QUE MUITA COISA MUDOU NESSE TEMPO... O QUE DE MAIS IMPORTANTE VOCÊ ACHA QUE MUDOU NA HISTÓRIA?

OCTAVIO CARIELLO - A exclusão de uns personagens, o aproveitamento de certas falas desses excluídos na boca dos que ficaram e, é óbvio, como em todo trabalho criado em equipe, a melhor adequação entre texto e arte finalizada, entre narrativa descrita e narrativa exposta... Os primeiros tratamentos previam 120 páginas de HQ; a redução para 78+1 deixou tudo mais enxuto.

QUANTA - A GENTE SEMPRE CONVERSOU MUITO SOBRE AS LIGAÇÕES ENTRE O ESTÁGIO INICIAL DE CRIAÇÃO DE UM MATERIAL E AS MÚSICAS QUE ESCUTAMOS... A INFLUÊNCIA DE MÚSICAS ESPECÍFICA, BANDAS, EM SEU TRABALHO SEMPRE FOI UMA COISA QUE ME CHAMOU ATENÇÃO. QUANDO ESTAVA LENDO A PUBLICAÇÃO PORTAIS, ME VI ESCUTANDO UM ÁLBUM DO RUSH... ISSO TEM A VER?
VOCÊ IMAGINAVA UM TIPO DE TRILHA SONORA ENQUANTO CRIAVA OU DEFINIA O DESIGN DE CADA SEQUENCIA DA HISTÓRIA?


OCTAVIO CARIELLO - A banda canadense está entre minhas preferidas e isso deve ter influenciado, consciente ou inconscientemente, na criação da obra, sim! Mas não podemos esquecer que, assim como uma peça musical, que, em sua maioria, precisa da participação de vários artistas pra ser completada, em "Portais" temos o gosto musical do Pietro, que é bem diferente do meu, a influenciar o clima final das páginas e emprestar o toque concreto na arte que deu cara a tudo.

Enquanto escrevia o roteiro, pensava em climas e ritmos que tinham a ver com coisas bem diferentes pra cada página: numas, um solo jazzístico de violoncelo, noutra, um rife de guitarra, numa terceira, um movimento de uma obra erudita, um coro de japonesas, um acordeão "tanguero" ou outro sertanejo....

QUANTA - ME LEMBRO DE VER DEZENAS DE ESTUDOS DE PERSONAGENS E CENÁRIOS PRODUZIDOS POR VOCÊ PARA PORTAIS, COMO FOI PASSAR O TRABALHO DE ARTE PRA OUTRO ARTISTA? VOCÊ SENTIU QUE ESTAVA JOGANDO O FILHO NO MUNDO?

OCTAVIO CARIELLO - Eu senti que o filho tinha possibilidade de andar com as próprias pernas, sim! Hahahahahaha!

Já faz tempo que venho escrevendo roteiros pra outros desenharem e sempre me surpreendo positivamente com a leitura diferente que cada artista faz daquilo que imaginei. Hoje, mais do que nunca, evito criar expectativas além de esperar que o resultado seja uma boa narrativa. Trabalhar com o Pietro é um grande prazer; ele tem uma seriedade incrível e costuma se preocupar em detalhes sobre a melhor maneira de mostrar as coisas acontecendo. Conversamos muito durante todo o processo, discutindo possibilidades e trocando ideias quanto aos melhores enquadramentos, qual a melhor paleta nessa ou naquela sequência. Além de ser um amigão, ele é um grande profissional.

QUANTA - SEMPRE SENTI UMA INFLUENCIA GRANDE DO SEU TRABALHO NA ESTRUTURA DO PIETRO... MAS, TEVE MAIS ALGUMA QUESTÃO QUE FEZ COM QUE VOCÊ CONVIDASSE ELE PRA ESSE PROJETO?

OCTAVIO CARIELLO - Na verdade, trabalhamos em alguns outros projetos (Dura Lex Sed Lex foi publicada na "Truko1" e o "primeiro" capítulo de "TheGroup" deve sair na Truko3) e o resultado sempre me deixou animado. Combinamos que um dia ainda faríamos algo grande juntos. Quando ele descobriu que "Portias" estava pronto e "encostado", ele me pediu permissão (hahahahaha) pra tentar desenhá-lo. Eu gostei da ideia desde o começo!

QUANTA - SEUS ROTEIROS SEMPRE TEM UMA CARACTERÍSTICA DIFERENTE DO QUE É FEITO HOJE EM DIA.. E NA VERDADE DE UNS 20, 30 ANOS PRA CÁ. VOCÊ NÃO FAZ CERTAS CONCESSÕES QUE HOJE SÃO PRATICAMENTE REGRA AO SE ESTRUTURAR UM ROTEIRO. POR EXEMPLO, EXISTE NOS SEUS ROTEIROS A ESTRUTURA DE “PREPARAÇÃO”, DE CONSTRUÇÃO DO UNIVERSO... VOCÊ VAI APRESENTANDO OS PERSONAGENS, OS CONCEITOS E PLOTS AOS POUCOS, MUITAS VEZES O LEITOR FICA “PERDIDO” NAS PRIMEIRAS PÁGINAS.. NÃO É COMO HOJE EM DIA, QUANDO VOCÊ JÁ TEM QUE APRESENTAR TUDO, EXPLICAR TUDO NAS PRIMEIRAS 5, 6 PÁGINAS.

ESSA “PREGUIÇA” DO LEITOR EM TER QUE ENTENDER TODO O CONTEXTO NAS PRIMEIRAS PÁGINAS PREJUDICA MUITO ESSE TIPO DE “PREPARAÇÃO”. PORQUE VOCÊ INSISTE NESSE TIPO DE ESTRUTURA?


OCTAVIO CARIELLO - Acho que é preciso tentar criar HQs que empreguem formas narrativas que não sigam os cânones da indústria, não porque esses cânones sejam ruins, mas porque a linguagem das HQs apresenta tantas possibilidades bacanas que vem sendo deixadas de lado ou não foram exploradas! Minha preocupação com a narrativa vai desde a virada de página até a mais apropriada distribuição dos balões e sua relação com as imagens subjacentes. Não tenho qualquer vontade de fazer algo novo, realmente inédito; gosto de brincar com a linguagem das HQs e usar de meu conhecimento literário pra criar narrativas instigantes. Trabalhar com alguém que tenha uma pegada como a do Pietro amplia a possibilidade de atingir públicos que não seriam naturlamente atraídos.

QUANTA - VOCÊ TEM ALGUM MÉTODO PRA ESCALETAR A HISTORIA? FALA UM POUCO DO SEU PROCESSO DE ESTRUTURA DE ROTEIRO.

OCTAVIO CARIELLO - Em sempre parto de uma ideia mãe, o que eu gostaria que o leitor/a leitora concluísse ao final da obra, algo como "pode até doer, mas o destino pode ser mudado; acreditar no contrário é arranjar desculpas esfarrapadas pra não se responsabilizar". Depois penso no formato de saída: vai ter dez páginas coloridas. Com isso em mente, chega a hora de decidir a quem desejo atingir e qual gênero vou usar pra atingir esse público. Mesmo quando estou escrevendo ficção-científica, uso minha realidade como base pra criação dos cenários e dos personagens. Estabelecidos o local e a data dos eventos, corro pra pesquisa: procuro imagens e textos que me ajudem a criar situações que tenham alguma coerência, alguma verossimilhança; chego a ler centenas de páginas de material teórico pra escrever dez páginas de roteiro. Com o material de referência em mãos, estabeleço quais as ações mais interessantes pra contar a história e brinco, às vezes, de alterar a ordem linear da narrativa, apresentando o meio antes do começo, ou até o começo no fim! Hahahaha!

QUANTA - NA CONSTRUÇÃO DOS PERSONAGENS, EXISTE ALGUM PONTO QUE VOCÊ É MAIS EXIGENTE? EXISTE ALGUM ASPECTO NA ESTRUTURAÇÃO DOS PERSONAGENS QUE VOCÊ VÊ QUE OUTROS AUTORES NÃO FICAM MUITO ATENTOS E VOCÊ ACHA ESSENCIAL?

OCTAVIO CARIELLO - Os personagens podem ser profundamente explorados, no caso de HQs com um pendor para o romance, ou mais esboçados, naquelas mais aparentadas aos contos ou às novelas, mas eu me preocupo particularmente com as questões narrativas que melhor se adequem a explicitar esse ou aquele aspecto da parte da história que relamente chega até as mãos de quem vai ler. Um passo atrás, acho muito importante a troca de ideias com o parceiro pra que nada fique de fora, nenhum detalhe seja negligenciado. O que eu acho essencial é a relação que os personagens estabelecem entre si e com os ambientes que ocupam, e lamento perceber que há muitos Quadrinhos em que essa relação não é levada tão a sério.

QUANTA - PORTAIS É UM PROJETO BEM GRANDE... O QUE VEM POR AÍ? VOCÊS PLANEJAM CONTINUAR A SAGA?

OCTAVIO CARIELLO - Sim! Embora "Portais" devesse funcionar isolado, há muita porta deixada aberta, muita possibilidade de futuras narrativas que "complementem" essa aventura ou que explorem eventos antes e depois daqueles mostrados no álbum. Pietro e eu estivemos conversando, antes mesmo de publicar "Portais", sobre pelo menos mais um álbum com alguns desses personagens. Como "spin-offs", tenho esboçado um álbum apenas com Derenian e outro que estou desenhando há anos sobre a tropa 22, de onde saiu Hugo. E venho publicando em inglês, em minha página no Wattpad, um romance de ficção-científica que tem tudo a ver com "Portais": "Lunatics".

Muito provavelmente, meu próximo trabalho com Pietro seja o primeiro volume de uma série de álbuns de HQ relacionadas com magia...

http://cucomaluco.wordpress.com/


ENTREVISTA - DAVI CALIL FALA SOBRE SEU TRABALHO NO ÁLBUM QUAISQUALIGUNDUM!



QUANTA - SEI QUE VOCÊ JÁ GOSTAVA BASTANTE DO ADONIRAN ANTES, COMO FOI AJUDAR A DAR UMA CARA PRA PERSONAGENS QUE VOCÊ SEMPRE IMAGINOU... QUANDO ESCUTAVA AS MÚSICAS ANTES IMAGINAVA O ROSTO DOS PERSONAGENS DELE? CHEGOU A SEGUIR UM POUCO ESSA MEMÓRIA QUANDO ESTAVA TRABALHANDO COM OS PERSONAGENS?

DAVI CALIL - Sim, sou fã do Adoniran desde moleque, conheci as músicas dele através dos Demônios da Garoa. Tocava as Demônios com meus amigos em Guararema.

Foi demais ter desenvolvido o visual dos personagens, ainda mais por ter trabalhado com o Roger Cruz, de quem eu também sou fanzasso. Quando ele me fez o convite já haviam alguns esboços do Mato Grosso e do Joca, mas tive liberdade total pra fazer tudo como queria.

Uma coisa que havia muito forte nas músicas do Adoniran, e sempre me pegava, eram as narrativas e os personagens "reais". Acabava de ouvir a música e a história continuava na minha cabeça, como quando a gente assiste um filme que gosta muito e os personagens continuam vivos na nossa cabeça mesmo depois do filme já ter acabado.

QUANTA - COMO FOI O PROCESSO DE CRIAÇÃO E PRODUÇÃO DESSE MATERIAL COM O ROGER? VOCÊ DEU IDEIAS PRO ROTEIRO? E A ESTRUTURA DE NARRATIVA? FOI TODO FEITO EM PARCERIA? VOCÊS CONVERSARAM MUITO SOBRE COMO CONTARIAM AS HISTÓRIAS GRAFICAMENTE?

DAVI CALIL - O projeto foi idealizado pelo Roger, quando ele me convidou para participar acho que ele já tinha as ideais gerais dos roteiros. A gente conversava bastante sobre as histórias, mas era mais a respeito do tom, de quem seriam os personagens, etc, depois disso ele escrevia e já me mandava tudo finalizado pra iniciar os desenhos.

Recebi muitas páginas de roteiro com esboços da narrativa, alguns com bonecos de palito e outras com desenhos lindos (tipo, prontos pra mandar pra gráfica, rsrs) eu podia seguir ou não as indicações deixadas por ele. Segui muitas e acho que no final a coisa se tornou uma mistura de estilos e o projeto saiu ganhando.

Trabalhar com o Roger é fantástico, ele desenha muito e manja demais de narrativa, aprendi muito nessa parceria.

QUANTA - VOCÊ SE VÊ ADAPTANDO OUTRAS HISTÓRIAS DESSE TIPO, MEXER COM PESSOAS DE CARNE E OSSO? É ALGO QUE TE INTERESSA?

DAVI CALIL - Sim, adoro transformar personagens históricos em personagens fictícios. Estou desenvolvendo dois projetos novos atualmente, os dois contém personagens baseados em figuras históricas.

Esses projetos serão bem diferentes do Quaisqualigundum, mas ainda assim, terão alguma relação com fatos e pessoas reais.

Uma coisa que tem me agradado é mudar fatos reais conhecidos de propósito, minha próxima HQ vai estar cheia disso.

Sabe no "Bastardos Inglórios", quando o Tarantino mata do Hitler com uma rajada de metralhadora? Mais ou menos isso, rsrs.


ENTREVISTA – ROGER CRUZ FALA SOBRE SEU TRABALHO NO ÁLBUM QUAISQUALIGUNDUM!



QUANTA - DE ONDE VEIO A IDEIA DE TRABALHAR O UNIVERSO DO ADONIRAN? AS MÚSICAS DELE SÃO BEM NARRATIVAS, CONTAM HISTORIAS... SEI QUE VOCÊ SEMPRE ESCUTOU AS MÚSICAS DELE, QUANDO VOCÊ FAZIA ISSO PENSOU NAS HISTÓRIAS DESSAS MÚSICAS DE MANEIRA GRÁFICA, IMAGINANDO AS CENAS?

ROGER CRUZ - Conheço as músicas do Adoniran desde moleque, quando minha mãe ouvia e cantarolava as músicas dele que ouvia no rádio. Nesta época, achava apenas engraçadas pela maneira como ele cantava e pelas palavras que ele inventava. Depois, mais velho, percebi que eram muito mais do que isso. Percebi que ele contava histórias sobre pessoas muito parecidas com muitas que eu conhecia nos bairros onde cresci.

Mas foi por volta de 2009, que veio a idéia para uma HQ baseada na Saudosa Maloca, a minha música predileta do Adoniran. Não me lembro exatamente como veio a idéia, mas acho que foi durante uma conversa com a minha esposa sobre uma playlist de sambas do Adoniran que eu estava ouvindo naquele dia. E, durante essa conversa, inspirado pelo rico universo vivido ou imaginado pelo Adoniran, me perguntei quem teriam sido "Eu, Matogrosso e o Joca".

Seguindo por essa linha, aí sim comecei a visualizar as cenas, os personagens e suas histórias.

Quando as idéias se encaixaram, imaginei a cena com o "Eu", deitado e olhando para um céu estrelado enquanto as casas iam passando diante dos seus olhos.

Foi com essa imagem que o projeto começou.

Aí, usei o mesmo processo criativo para trabalhar com as outras músicas que serviram de inspiração para as outras HQs do álbum.

As HQs não são adaptações das músicas do Adoniran; são histórias imaginadas a partir das letras das músicas do Adoniran.

São homenagens à obra do Adoniran, ele que soube retratar tão bem esses dramas cotidianos vividos por gente humilde em São Paulo; dramas idênticos a tantos outros vividos em outras cidades no Brasil.

QUANTA - ESSA IDEIA DO ÁLBUM NASCEU JÁ COM A INTENÇÃO DE TRABALHAR COM O DAVI OU ELE ENTROU EM UM MOMENTO POSTERIOR?

ROGER CRUZ - Lá em 2009, quando escrevi a primeira HQ, eu pretendia desenhar o álbum. Em 2010, finalizei 3 ou 4 páginas mas nunca fiquei totalmente satisfeito com o resultado e ainda não sabia o que fazer com aquela HQ inspirada na Saudosa Maloca.

Deixei de lado por um tempo e continuei com os trabalhos que pagavam as contas.

Aí, conversando com os amigos do Dead Hamster, coletivo do qual faço parte, descobri que o Davi também gostava das músicas do Adoniran.

E, não só conhecia como já tinha tocado Adoniran no grupo de samba do qual fez parte na adolescência em Guararema.

Comentei e compartilhei as primeiras páginas e o Davi curtiu muito a idéia do projeto mas a conversa ficou por aí.

Algum tempo depois, quando vi o que o Davi estava fazendo com aquarela e guache, resolvi arriscar e perguntar se ele estaria interessado em fazer a arte e ser co-autor do projeto.

Ele aceitou e começamos a conversar sobre as próximas HQs do álbum, Davi sugeriu inscrever o projeto no ProAC e a Nádia Mangolini entrou na equipe fazendo a produção.

Fomos contemplados com o apoio, escrevi os outros roteiros, o Davi produziu as artes, tivemos alguns problemas com detentores de direitos sobre as músicas, o que atrasou bastante o lançamento, mas, não tivemos problema com herdeira do Adoniran que foi ótima com a gente (Obrigado, Maria Helena).

Convidamos o Sidney Gusman e o Emicida para fazerem prefácio e texto de orelhas e eles escreveram textos incríveis.

Agora, o álbum está pronto para o lançamento aí na Quanta!

Tô muito orgulhoso desse projeto!

QUANTA - VOCÊ TRABALHOU A NARRATIVA DAS HISTÓRIAS JUNTO COM O DAVI... COMO FOI O PROCESSO DESSAS PÁGINAS?

ROGER CRUZ - O roteiro do Quaisqualigundum foi o primeiro que escrevi para outra pessoa desenhar. Quando escrevo meus roteiros, faço o texto junto com o esboço da cena.

E, em muitos casos, gosto do esboço e o uso como base para a finalização.

No começo, tentei fazer o roteiro apenas descrevendo as cena para não influenciar o Davi com o meu desenho. Mas estava levando muito tempo e eu poderia passar a mesma idéia com um esboço rápido.

Acabei optando por fazer o roteiro com esboço de cena porque eu tinha algumas idéias bem específicas para a composição e narrativa de algumas sequências.

Mas em outras sequências, o Davi mudou o que achou necessário e o resultado final é fruto de muitas idéias trocadas durante o processo.

Sobre a arte, o Davi é um craque das cores e da estilização.

O que ele fez em cada uma das páginas, ajudou muito a contar as histórias e os personagens ganharam vida no traço dele.

Ele criou lindas texturas e composições com aquarela e guache.

Os originais são de cair o queixo!

Pretendemos fazer uma exposição com as artes do Quaisqualigundum em breve e avisamos quando tivermos a data confirmada.

QUANTA - O ROTEIRO DAS HISTÓRIAS MUDOU MUITO DURANTE TODO O PROCESSO? TODO PROJETO DESSE TIPO PASSA POR MUITAS MUDANÇAS... AS HISTÓRIAS PODEM MUDAR BASTANTE, MAS O CONCEITO CENTRAL, A TÔNICA DAS HISTÓRIAS MUDOU MUITO DA IDEIA ORIGINAL?

ROGER CRUZ - Não mudou muita coisa, não.

A primeira história é praticamente a mesma que a escrevi em 2009.

Sobre as outras, escritas mais recentemente, algumas tiveram partes reescritas mas sem alterar o conceito central que já estava definido.

QUANTA - EM TERMOS DE NARRATIVA, COMPOSIÇÃO DE CENA... VOCÊ TINHA ALGUM DIRECIONAMENTO QUE PENSAVA EM USAR COMO REFERÊNCIA, ALGUM ARTISTA DE QUADRINHOS, ILUSTRAÇÃO OU FILME?

ROGER CRUZ - As maiores referências foram o Adoniran, suas músicas, os lugares por onde ele andava e a cidade que o inspirava.

QUANTA - A ARTE DO ÁLBUM PARECE MUITO PENSADA... PARECE TER UMA DIREÇÃO DE ARTE MUITO BEM CUIDADA. VOCÊ E O DAVI DISCUTIRAM MUITO OS TONS DE CENA DE CADA HISTÓRIA OU SEQUENCIA?

ROGER CRUZ - Esse cuidado que é percebido nos tons escolhidos para cada história é mérito do Davi.

Ele escolheu a paleta de cores para cada HQ, definiu muito bem as passagens de tempo e o contraste de cores entre histórias alegres e tristes.

Sou suspeito pra falar, mas a arte ficou espetacular.

QUANTA - QUAL SERIA UM PRÓXIMO COMPOSITOR PRA SE BRINCAR COM UMA NARRATIVA GRÁFICA?

ROGER CRUZ - Não foi nada fácil prestar essa homenagem ao Adoniran.

Se não fosse o apoio financeiro, talvez esse álbum não teria rolado.

Tivemos uma série de problemas e atrasos tentando conseguir, e não conseguimos, os direitos das músicas que serviram de inspiração para as HQs.

Mas conseguimos os direitos de uso de nome e imagem do Adoniran, gentilmente cedidos pela Maria Helena, a filha dele.

Ter pelo menos autorização para usar nome e imagem era muito importante porque queríamos deixar claro que era sobre a obra dele que estávamos falando, que a inspiração vinha dali.

Mas aprendemos muito com essa experiência.

E, por enquanto, vou focar em terminar os projetos que já comecei, como Gutigutz e a continuação do Xampu.


DICA DA QUANTA – EGON SCHIELE

Em 12 de junho de 1890, nascia na Áustria um dos artistas mais influentes de uma enorme lista de pintores, ilustradores e desenhistas.. Egon Schiele.

Em 1906, logo após a morte de seu pai, Schiele ingressou na Akademie der Bildenden Künste, em Viena, onde estudou desenho e pintura. No ano seguinte, conheceu outro gênio... Gistav Klimt, que tornou Schiele seu protegido e influenciou e promoveu muito seu trabalho.

Em 1908, Schiele cria o grupo Neukunstgruppe (grupo nova arte), estava ansioso por experimentar e criar, e muito insatisfeito com o estilo e métodos conservadores da academia... Sua vida mudou completamente. Se envolveu em todo tipo de experiência procurando uma espécie de liberdade artística que se estendia também para seu comportamento na vida pessoal. Esse comportamento pessoal é facilmente visto na obra dele... O desafio de mostrar o que temos dentro de nós.

Schiele é um dos maiores nomes do expressionismo austríaco... Não conheço nenhum desenhista ou pintor que quando mergulha mesmo no estudo da forma e da cor, não tenha passado um tempo absolutamente mergulhado nos trabalhos de Egon Schiele. É incrível ver como o movimento, as posturas torcidas, transfiguradas, deformadas passam o sentimento dos personagens que ele desenha... são torturados e livres ao mesmo tempo. Você sente angústia, coragem, força, fraqueza.. tudo em posturas... Os trabalhos de Schiele sempre me lembram dança, dançarinos... são posturas dinâmicas e fortes, mesmo paradas... Os lençóis que desenha, as mulheres e os autorretratos são fortes, provocativos, desafiadores... Mesmo quando vemos suas paisagens e casarões pescamos algum tipo de estudo humano, comportamental, social... Tudo que vi dele me soava como uma crítica ou no mínimo uma crônica ao que é ser humano. Um artista de mão cheia mesmo... e se você não conhece, está perdendo tempo!











quarta-feira, 25 de junho de 2014

ZUMBI JOGA FUTEBOL? TAINAN ROCHA EXPLICA!

Nosso coordenador de cursos, TAINAN ROCHA, lançou um material muito bacana e que tem chamado muita atenção da mídia geral... Revista Placar, Correio Braziliense, ESPN, UOL e Universo HQ, Rádio Mix, são alguns dos meios onde esse trabalho foi comentado! Junto com o roteirista FELIPE CASTILHO, Tainan já deu palestra em evento no Rio de Janeiro e está com a agenda cheia nesse segundo semestre!

O gibizão IMAGINE ZUMBIS NA COPA, é claro, é um produto e não tem vergonha nenhuma disso... Zumbis estão na moda? Sim, estão.. A Copa do Mundo chama atenção? Claro que chama! O gibi IMAGINE ZUMBIS NA COPA se aproveita disso? Claro que se aproveita! Isso é ruim? Claro que não! O gibi é bom? Sim meu senhor e minha senhora.. é BEM bom! E ser bom sempre interessa! O Tainan é um cara que mostra um trabalho gráfico maduro, estruturado. O resultado gráfico que ele alcançou deixou todo mundo aqui muito orgulhoso! Ainda mais porque o Tainan chegou aqui na Quanta pra fazer curso com 12 anos de idade e nunca mais saiu!

Abaixo, você pode ler a primeira parte da entrevista que ele fez com a gente!  

- VOCÊ CURTE FILMES DE ZUMBIS? TEM ALGUM EM ESPECIAL?

Curto muito o gênero e graças às “sessões da tarde” de filmes de terror que meu pai promovia aos sábados, quando eu era pivete! Dos mais modernos acho Zombieland e Shaun of the Dead sensacionais! Além da qualidade técnica, a abordagem mais humorística que dá um resultado incrível!  

- OS FILMES DE ZUMBIS TEM UM TIPO DE ESTÉTICA NARRATIVA BEM ESPECÍFICA. PLANOS, ENQUADRAMENTOS, RITMO... ESSES FILMES INFLUENCIARAM NO TIPO DE NARRATIVA QUE VOCÊ USOU NA HQ? VOCÊ TENTOU REPRODUZIR ISSO?

Para ser bem sincero, antes de dar início ao processo de produção da HQ, evitei contato com todo o tipo de “material zumbi” para não sofrer muita influência direta e tentar colocar no papel a minha própria concepção de zumbis e o que tinha guardado ali, empoeirado, no fundo da memória. É claro, que não tinha a ingenuidade de ser original, mas acho que valeu a pena!
E tecnicamente falando, tentei ao máximo aplicar tudo o que consegui aprender sobre narrativa em todos esses anos estudando HQ na Quanta. Fiz um ano de desenho e mais três de HQ ... Em algum momento tinha que colocar isso em prática né!

- VOCÊ TEM UMA EXPERIÊNCIA LEGAL COM ILUSTRAÇÃO E TAMBÉM COM HQS CURTAS, MAS ESSA É SUA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA COM NARRATIVAS LONGAS, SENTIU MUITA DIFERENÇA NA HORA DE CRIAR A NARRATIVA DE UMA HISTORIA EXTENSA COMO ESSA?

Sem dúvida! Como já disse em outras ocasiões, gasto muito mais tempo fritando os miolos nessa primeira etapa de destrinchar o roteiro em quadros do que propriamente os desenhando, seja a narrativa curta ou longa. Particularmente, essa talvez seja a parte do processo todo que mais me agrada. 

Mas no caso dessa história que é mais densa, exigiu bastante uma organização, um processo de trabalho mais claro – justamente aquilo que eu descobri não possuir. 

Porém, a experiência com essa hq somada ao curso de narrativa visual “Desenho, Câmera e Ação” do Greg Tocchini que fiz recentemente na Quanta me proporcionaram criar um processo de trabalho o que acaba deixando as coisas bem menos complicadas. 


- SUA ARTE INSPIRA MUITO ESSA LEVADA “TERROR DE SUSTO” QUE TEM A VER COM OS FILMES E QUADRINHOS DE ZUMBIS... É UM TRAÇO QUE SURPREENDE, É MEIO INESPERADO ALGUMAS SOLUÇÕES GRÁFICAS QUE VOCÊ DÁ EM ALGUNS QUADROS, E POR ALGUM MOTIVO ISSO ME LEMBRA ESSA LEVADA DE SURPRESA E SUSTO QUE AS HISTÓRIAS DE ZUMBIS TÊM. SEU TRAÇO TEM UMA CARACTERÍSTICA “SUJA”, BASTANTE EXPRESSIVA, COM PINCÉIS SECOS E TEXTURAS. VOCÊ ACHA QUE ESSA PERSONALIDADE GRÁFICA QUE VOCÊ JÁ TEM AJUDOU NA ESTÉTICA VISUAL DESSA HQ? VOCÊ SE PREOCUPOU COM ISSO?

Ah sim, os pincéis secos e surrados são os melhores e piores amigos que eu tenho, simultaneamente! Digo isso, pois, por mais que eu tenha me apropriado de toda a sujeira e textura que o pincel proporciona, ainda acho uma técnica perigosa! 

No caso de uma HQ, o desenhista tem muitas preocupações, bem como, linhas de leitura, contraste, massas de preto e principalmente, o fácil entendimento e comunicação visual! 
Porque por mais que essa história especificamente pedisse essa sujeira e cenas com clima mais pesados, ainda assim, as cenas, as figuras e as silhuetas tem que funcionar. O leitor tem que entender bem aquela sujeira toda. Se sentir assustado e encantado ao mesmo tempo!

- A MISTURA ZUMBIS/FUTEBOL TE DEU ALGUMA IDEIA DE TENTAR UMA NARRATIVA DIFERENTE NESSE TRABALHO? PENSOU NAS TRANSMISSÕES DE FUTEBOL... OU NA SUA EXPERIÊNCIA DE JOGAR FUTEBOL NA HORA EM QUE ESTAVA CRIANDO AS CENAS E O RITMO DA HISTÓRIA?


Sim, sim! Eu sempre gostei muito, tanto de assistir quanto de jogar futebol! 

Infelizmente nunca passei nas peneiras, mas eu venho da rua, onde sempre foi praticado um futebol mais pesado, pé descalço no asfalto quente, trave com chinelo havaiana mesmo, manja? 

Lembrar disso, desse ritmo de jogo mais rápido, com certeza ajudou a todo instante, fazer essa relação direta entre cenas mais violentas no campo, divididas de bolas, cotoveladas e zumbis que são violentos por natureza! rsrs 

- COMO FOI SUA PARTICIPAÇÃO NO PROCESSO CRIATIVO? VOCÊ RECEBEU O ROTEIRO JÁ FECHADO OU COLABOROU TAMBÉM NA ESTRUTURA DA HISTÓRIA?

Desde a primeira versão do roteiro, veio tudo aberto e eu recebi de braços abertos também pois acho que a conversa entre o roteirista e o desenhista fica mais leve e flui melhor quando o roteiro é mais solto. 

- VOCÊ PENSOU EM CENAS ESPECÍFICAS QUE QUERIA DESENHAR, PENSANDO NO QUE VOCÊ GOSTA VISUALMENTE NAS HISTORIAS DE ZUMBIS, E INCLUIU NO ESQUELETO DA HISTÓRIA, OU NEM PENSOU NISSO... PRIVILEGIOU A HISTÓRIA MESMO?
Mesmo com o prazo apertado, eu tentei ler com bastante calma e entrar em sintonia fina com a história. No fim das contas acabei colaborando mais graficamente mesmo! O Felipe é um cara muito experiente e foi generoso desde a primeira conversa que tivemos a respeito da ideia, deixando o campo livre. Nessa aí acabamos descobrindo muitas referências em comum. E confesso que fiquei muito ansioso e senti um prazer mórbido em desenhar cabeças de zumbis sendo arrancadas com boladas "a la Roberto Carlos"! rsrs



- O ÁLBUM CONSEGUIU UMA EXPOSIÇÃO BEM GRANDE NA MÍDIA. VOCÊ ESPERAVA POR ISSO? PORQUE VOCÊ ACHA QUE ROLOU?

Desde o início, fizemos tudo com uma certa confiança na força do tema e um fio de esperança também. Estávamos preocupados em terminar a tempo de lançar e pegar rabeira aproveitando todo o barulho da Copa. Inclusive, acredito que esse tenha sido um dos principais combustíveis para a história sair em apenas três meses!  

O Felipe já está mais acostumado por conta de seus livros (a série que mistura folclore e ficção Ouro, Fogo e Megabytes).

Mas mesmo assim, a repercussão tem sido surpreendente! Estamos muito, muito contentes! Valeu cada madrugada em claro na prancheta. 


- HOJE VOCÊ ESTÁ PUBLICANDO, TODO BONITÃO APARECENDO NA MÍDIA... E MUITOS QUE QUEREM TRABALHAR COM QUADRINHOS OLHAM E PENSAM QUE TALVEZ SEJA FÁCIL CHEGAR ONDE VOCÊ ESTÁ. FALA UM POUCO SOBRE A ESTRADA... AS MADRUGADAS NA PRANCHETAS, OS DOMINGOS, AS FRUSTRAÇÕES.. É FACINHO SER QUADRINISTA, NÉ?

Olha, a ficha continua caindo e na real, hoje cheguei num dos primeiros degraus, ainda faltam muitos e muitos e espero continuar a subida com o mesmo gás!

Mas ser quadrinista, ilustrador, assim como ser músico etc, não é nem um pouco fácil mesmo! Eu, assim como muitos e muitos outros colegas de prancheta e palco, temos empregos fixos que ajudam a sustentar a nossa arte, ou seja: dividir o tempo e as horas de sono com outras responsabilidades por si só já é um fator que torna as coisas um pouco mais complicadas né... 

Porém, ao mesmo tempo, penso que é bom que seja assim, a gente aprende a dar mais valor viu... Pego como exemplo tudo o que tem rolado por conta dos zumbis.
(vale sempre lembrar o quanto esse tema colabora para a exposição na mídia, mas só isso não seria o suficiente).


Em cada página ali tem muitas gotas de suor e dedicação, ausência em churrascos de domingo, madrugadas em claro, apoio dos amigos, mulheres e familiares de cada um de nós. E agora, depois do gibi publicado, vendido e compartilhado por aí, dá um baita orgulho de dizer que valeu cada rabisco e cada pincelada suja!


















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quarta-feira, 18 de junho de 2014

MEROS HUMANOS

No fim do ano passado, 2013, o dicionário de Oxford, conhecido por incluir novas palavras ao vocabulário oficial a língua inglesa, elegeu selfie como a palavra do ano. Definida como uma fotografia que a pessoa tira dela mesma, tipicamente com um smartphone ou webcam, carregada em um site de mídia social, foi usada por todo mundo, se você não tirou uma selfie em 2013, com certeza ficou tentado depois do Oscar de 2014, quando Ellen De Generes literalmente, quebrou o Twitter com sua über selfie nos Oscars 2014.

Com esse movimento social o designer Dan Rubin aproveitou a carona e desenvolveu a série de fotos chamadas “Phonies”, a ideia é mostrar como a identidade pessoal é divulgada e compartilhada em redes sociais e como a cultura das celebridades nos influencia sobre isso; “Nosso rosto em fotos tem o poder de nos trair sobre como nos vemos, aqui o sujeito é só uma paisagem, uma forma de reflexo do que consumimos”.

A ideia em si foi fotografada por uma dessas ferramentas que incentivam a selfie, a empresa HTC doou uma câmera HTC mini one para o artista que saiu pela lendária Carnaby Street em Londres buscando essas celebridades. A série virou um tumblr e tem usam fotos de celebridades como Lily Allen, Alan Taylor e Beyonce.

O trabalho do cara você pode ver no link abaixo!


http://danrubin.tumblr.com/post/87286518591/htc-gave-me-a-new-htc-one-mini-to-play-with-and